Em Destaque

SAUDAÇÃO À PROFESSORA DOUTORA LUCÍLIA NUNES

15/03/18

24 MARÇO - ASSEMBLEIA GERAL DA ORDEM DOS ENFERMEIROS

 
 
Caros Colegas:

Vai realizar-se, no próximo dia 24 de Março pelas 11 horas, na Aula Magna da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, a Assembleia Geral da Ordem dos Enfermeiros. Relembramos que a Assembleia Geral é o órgão deliberativo da Ordem dos Enfermeiros sendo decisiva a participação de todos no processo de construção da profissão.

Informamos que a Ordem dos enfermeiros disponibiliza transporte sujeito a prévia inscrição.

Para tal e:
  • se pertence à Secção Regional do Norte, deverá fazer a sua inscrição até dia 21 de Março, aqui
  • Se pertence à Secção Regional do Centro deverá fazer a sua inscrição até dia 19 de Março, aqui
  • Se pertence à Secção Regional do Sul deverá fazer a sua inscrição até dia 19 de Março, aqui

Não falte.

Exerça os seus direitos. Participe na construção do seu futuro.

O Futuro da profissão depende de todos.

13/03/18

VALORIZAR A ENFERMAGEM


VALORIZAR A ENFERMAGEM

(comunicação apresentada na Abertura do Encontro de Enfermeiros- Cidadania na Enfermagem a 3/03/2018 por Maria Augusta de Sousa)

Os tempos que socialmente estão a ser construídos são hoje atravessados pela velocidade da informação (e desinformação) que a Comunicação Social, a Internet e as redes sociais tornaram instrumentos centrais na vida de cada um de nós, não só como possibilidade de comunicação, mas também de desconstrução, pela facilidade de acesso e por vezes mesmo pela propaganda de menos rigor e verdade que, pela sua repetição, passa como realidade. A enfermagem e os enfermeiros não estão imunes a esta situação, pelo que importa clarificar algumas questões.
A enfermagem, pela sua natureza, tem uma responsabilidade social face aos desafios que se colocam à saúde dos cidadãos e à organização das respostas em cuidados de saúde, assim como às políticas que suportam as orientações e a disponibilização dos recursos necessários. Importa por isso que, como o maior grupo com número de alunos em formação no Ensino Superior na área da saúde e de profissionais no Sistema de Saúde, sejamos capazes de construir referenciais que nos permitam perspetivar a profissão a longo prazo.


Pensamos que devemos fazer um caminho que nos permita definir eixos estratégicos de desenvolvimento que perspetivem a profissão que desejamos a 10 anos. Não é tarefa fácil, mas é um exercício que só nós enfermeiros o devemos fazer para que outros não o façam por nós. Estou certa que seremos capazes, tal como colegas o fizeram nos anos 70 e que orientaram o caminho que percorremos nas décadas de 70/80/90.

Sabemos que as condições tanto na formação como no exercício profissional conheceram nas últimas décadas mudanças, mas que pela velocidade com que ocorreram, quase não demos conta:

- na educação, o ensino superior acentuou o sistema binário,  valorizando de forma distinta o ensino universitário e o ensino politécnico, não só com um crescimento no numero de alunos na área da saúde, mas também com o reforço de áreas de formação que se cruzam em saberes que deveriam ser partilhados para alicerçar novas formas de estar em saúde pelos vários profissionais. E consequentemente, na área da saúde passou a existir diferenciação das condições de acesso às diversas profissões.
- nas instituições de saúde, os modelos de gestão assentam cada vez mais numa lógica de produtividade por atos/programas e ciclos[ que o cidadão percorre (mais em função da organização dos profissionais do que de acordo com as suas necessidades) que ocultam os contributos que cada um dá na cadeia da oferta de cuidados. É disto exemplo a forma como são organizados determinados dados estatísticos, em que os enfermeiros nem aparecem.
INE/INSA 2014 – inquérito nacional de saúde divulgado em 2016


Sabemos que as alterações demográficas e epidemiológicas são hoje distintas dos anos ainda próximos, ou seja a esperança de vida aumentou mas os anos de vida saudável não mudaram muito. Com estas mudanças temos um índice de envelhecimento que em 10 anos passou de 111,5 (2006) para 150,9 (2016) e uma população idosa portadora de comorbilidades e com dificuldades crescentes no que respeita a Atividades de Vida Diária.






Sabemos nós enfermeiros que esta realidade implica cuidados de suporte que contribuam para uma vivência das transições ao longo do ciclo vital que garanta as melhores condições para a vivência dos seus processos de saúde/doença. Os enfermeiros são os profissionais que podem ser a referência essencial para a continuidade e segurança dos cuidados.
Contudo, continuamos numa lógica de organização dos cuidados suportada na organização dos cuidados médicos e esta situação não tem permitido a apropriação dos instrumentos que a profissão tem para que as suas intervenções autónomas e interdependentes tenham expressão visível na cadeia de cuidados. Consequentemente, os enfermeiros não têm feito parte de uma lógica de investimento, mas sim de despesa.
Esta ausência de apropriação conduz a que na “guerra” dos territórios profissionais, (hoje mais diversificada porque existem mais profissões) não seja valorizado por outros (e por muitos de nós) um verdadeiro trabalho de equipa multiprofissional e interdisciplinar, onde a centralidade e a reposta às necessidades a quem dispensamos cuidados deve ser, não o somatório do que cada um faz, mas sim o que cada um transporta como valor acrescentado.
O ensino das várias disciplinas da área da saúde continua espartilhado, cada um nos seus saberes, quando poderia ser um importante instrumento de mudança de culturas profissionais fechadas em si mesmas. Novas estratégias para o ensino e investigação em saúde são desafios que se colocam e que exigem trilhar caminhos de concertação.
Sabemos que a evolução científica e tecnológica permitem novas respostas que contribuam para a melhoria do estado de saúde e bem-estar dos cidadãos, contudo continuamos a ter uma realidade dos recursos disponíveis para os quais não se vê a assunção de um planeamento estratégico, à semelhança do que se está a realizar com o SNS de Inglaterra, que está a realizar um trabalho para a definição das necessidades da força de trabalho até 2027.
Se voltarmos a analisar o slide 1 – Recursos Humanos no SNS, verifica-se que no ensino o numero de alunos de medicina se aproxima do numero de alunos de enfermagem e que no que respeita aos RH na saúde a estabilidade de crescimento foi apenas no grupo médico, estando o grupo de assistentes operacionais desfalcado o que significa limitações à organização de cuidados, mas também no que aos enfermeiros diz respeito, a não assunção das suas áreas de responsabilidade, onde a delegação de tarefas é, por vezes, não assumida.
Contudo os Objetivos para o Desenvolvimento Sustentável apontam metas para o ano 2030 onde a saúde universal é uma meta e a OMS defende que “Enfermeiras e Parteiras: são a chave para a saúde universal”. Também por isto devemos construir uma visão de longo prazo e sermos intervenientes nas mudanças.


É no aprofundamento deste quadro e dos espaços onde os enfermeiros intervêm, no ensino, na investigação, na prestação de cuidados, na gestão e na assessoria que acreditamos ser possível fazer um caminho que nos permita definir eixos estratégicos de desenvolvimento que perspetivem a profissão que desejamos a 10 anos.
Se olharmos o nosso percurso como profissão nas quatro últimas décadas, os pilares do seu desenvolvimento foram sempre a formação/autorregulação profissional/ regulação laboral/carreira, o que nos dá um grande estímulo para continuarmos a lutar pela valorização da Enfermagem.  
Neste espaço hoje criado, optamos pela discussão destas temáticas pela pertinência e atualidade de que se revestem, e por isso poderem tornar-se numa alavanca para respondermos a desafios futuros.
Seguramente surgirão muitas questões neste Encontro, mas também vontade de continuar e para a qual contamos com os vossos contributos.

05/03/18

SÍNTESE DO ENCONTRO DE ENFERMEIROS - CIDADANIA NA ENFERMAGEM - 3 MARÇO

ENCONTRO DE ENFERMEIROS - CIDADANIA NA ENFERMAGEM

Auditório Hospital D. Estefânia  3/03/2018

SÍNTESE :

Das 176 inscrições para o encontro estiveram presentes da parte da manhã na sala 101 pessoas  e da parte da tarde 118, tendo sido recebidas algumas mensagens de inscritos justificando ausências por motivos inesperados/familiares ou em consequência da intempérie, como por exemplo o caso dos enfermeiros da Madeira.  

O programa foi totalmente cumprido, num ambiente sereno que permitiu o questionamento aos vários elementos das mesas dentro dos períodos de tempo disponibilizados, sendo reconhecido por alguns dos presentes a mais-valia da informação recebida e das hipóteses futuras para o seu aprofundamento noutras iniciativas a promover pelo grupo dinamizador do blogue Cidadania na Enfermagem.

Na Abertura, (embora essa informação esteja presente no blogue) este grupo de enfermeiros foi novamente identificado, explicadas as razões para a sua existência e divulgadas e justificadas as áreas que considera prioritárias para debate, solicitando aos presentes que divulguem a possibilidade de intervenção agora criada, contribuindo com comentários e sugestões nesse espaço on line. O blogue é um meio para isso, uma possibilidade de construção de pensamento crítico importantíssimo para a Enfermagem nos tempos que correm. Das áreas selecionadas, o grupo dinamizador quis promover o debate em torno a duas que considerou mais prioritárias dentre as selecionadas (Ensino/Desenvolvimento Profissional) e que estão relacionadas entre si.

Foi salientada a necessidade da profissão ser mais compreendida e valorizada, numa época em que as novas políticas, as novas orientações e os contextos onde se trabalha sofrerem variadas influências que podem ter repercussões negativas para os enfermeiros,  se estes não se fizerem ouvir de forma mais sistematizada, fundamentada e científica.

Há que desocultar a Enfermagem a nível da sociedade, das organizações, das estatísticas de saúde (onde os enfermeiros não aparecem) e da forma de trabalhar não partilhada com os outros profissionais desta área. Foi reconhecida a tendência actual para outros ocuparem o lugar na equipa de saúde que por direito era nosso, havendo que reforçar a complementaridade do papel dos enfermeiros na prestação de cuidados.

As actuais situações de saúde complexas na nossa sociedade implicam também evidenciar o contributo da enfermagem vocacionado para os ganhos em saúde, por exemplo perspectivando-o a 10 anos, ao mesmo tempo promovendo o seu próprio desenvolvimento profissional, tal como outras iniciativas internacionais já o estão a fazer.

A mesa Ensino/Formação reforçou alguns constrangimentos existentes e lançou algumas questões importantes que merecem ser discutidas e aprofundadas, numa tentativa de se contornarem ou superarem os obstáculos existentes.


Embora o Ensino da Enfermagem seja actualmente de nível superior no subsistema politécnico, continuamos com um sistema binário muito vincado, tendo-se perdido em 2007 a hipótese de, à semelhança da maioria das profissões da área da saúde, ter conquistado o mestrado integrado, com consequências negativas também na valorização salarial dos enfermeiros, o que muito os revolta.

As propostas da OCDE, há muito pouco tempo divulgadas, permitem que, quanto à atribuição do grau de Doutor e na investigação, o Ensino Politécnico se possa aproximar do Ensino Universitário embora de forma muito controlada, parecendo haver vontade política e europeia para uma certa “uniformização” que não resolverá de todo as diferenças existentes pelo menos a curto prazo, no entendimento de alguns dos presentes.

A enfermagem enquanto disciplina e profissão só se poderá afirmar e desenvolver com base na investigação, apresentando dados que permitam solidificar e consolidar o conhecimento e sobretudo permitindo o uso dos dados obtidos na melhoria das práticas. Tem que se dar algum tempo para se reflectir sobre  quais as prioridades da investigação e fazer sentir a todos com que lidamos a necessidade de terem  enfermeiros a seu lado.

Outras questões prementes na actual situação do Ensino foram remetidas, a pedido de muitos presentes, para outros fora (tal como debater/analisar  consequências de qual dos subsistemas deverá ministrar o ensino da enfermagem,  de como pensar a formação especializada, a articulação ensino/exercício e prever a hipótese do aparecimento da formação de auxiliares de enfermagem).

Foi solicitado a este grupo que continuasse a promover o debate e divulgasse informação sobre o tema de forma mais abrangente, pois reconheceu-se a existência de alguma iliteracia em enfermagem a este respeito.

Ficou patente que, dados os contextos onde os enfermeiros exercem e as pressões sociais a que todos estamos sujeitos,  não existe muito tempo para consulta de documentação, para reflexão e sobretudo para discussão aprofundada, pelo que estes fora são muito úteis para redirecionar as atenções para o que é importante,  e evitar um certo distanciamento e alheamento favorável a que poucos decidam o futuro profissional de muitos.


Na mesa Desenvolvimento Profissional e Carreira participaram representantes do SEP, SE e o Presidente da APEGEL. Faltou a voz do órgão regulador, embora tivesse sido convidado, numa altura em que ele preconiza diversas alterações regulamentares ainda muito pouco debatidas e conhecidas.


Uma carreira reflete o desenvolvimento profissional, embora possa significar coisas diferentes consoante se trabalhe em instituições publicas (também com diferentes vínculos) e em organizações privadas...São muitos os constrangimentos legislativos e conjunturais que dificultam a estruturação do desenvolvimento profissional baseado apenas em carreiras. O tipo de gestão que está instituído não se compadece com desejos e aspirações legítimas, sendo urgente que os enfermeiros se organizem de forma a discutir um plano estratégico que valorize a enfermagem, reflita sobre a sua própria organização de trabalho e evidencie o seu valor na equipa de saúde.

É muito importante que  a reestruturação da carreira deva ser adaptável às mudanças estruturais no modelo de desenvolvimento profissional dos Enfermeiros.

De acordo com a APEGEL os pilares fundamentais para o desenvolvimento profissional estão directamente relacionados com a regulação da profissão e implicam assegurar a segurança na prestação de cuidados (baseada em dotações seguras, conhecimentos seguros, práticas seguras e organizações seguras), em definir áreas de exercício, em reconhecer competências e em reforçar a liderança. Estes aspectos deverão estar na base da construção de carreiras, aspectos que  vão muito para além de simples questões remuneratórias... Defende que a carreira terá de traduzir claramente as competências especializadas e as dotações seguras, terá de realçar o importante papel dos Enfermeiros na vigilância da saúde das pessoas e das populações e que terá de assegurar o desenvolvimento profissional dos Enfermeiros.

As duas estruturas sindicais presentes apresentaram os seus pontos de vista para o desenvolvimento de carreira, verificando-se alguma divergência na fundamentação das suas propostas. Uma proposta (SEP) tem em conta os constrangimentos legislativos existentes, outra prefere contorná-los através da persistência e convicção histórica das suas razões (SE).

No debate gerado ao longo do dia, foram colocadas algumas questões aos elementos das Mesas, as quais se relacionaram com: competências com que os jovens Enfermeiros concluíram a licenciatura e se no mercado de trabalho para iniciarem o exercício profissional encontram possibilidade de as aperfeiçoarem; com as condições dos contextos da prática clínica para serem utilizadas como unidades para estágios; com a necessidade de se proporcionarem condições para que os docentes e os Enfermeiros da área clínica possam circular entre as duas áreas de trabalho em intercomunicabilidade reciproca; as condições que atualmente os Enfermeiros Gestores (das categorias subsistentes) possuem para o exercício da gestão; e com os requisitos, condições e métodos mais pertinentes para selecionar os Enfermeiros mais aptos e mais capazes para os postos de chefia e direção (em futura carreira).

Quer durante o debate do tema da manhã, quer no tema da parte da tarde, os participantes evidenciaram que houve uma regressão na Enfermagem em Portugal, pois continuamos em circulo, discutindo problemas que já haviam sido contornados, mas que voltaram, quando se pretendia que já estivéssemos numa linha reta em direção ao futuro (alguns dos participantes deram a conhecer situações de desempenho que os revolta e desencanta).

Deve-se apostar mais no debate de critérios para o desenvolvimento profissional em função das qualificações dos enfermeiros e do seu contributo e mais valia na equipa de saude, promovendo, ao mesmo tempo, a sua autonomia.
Foi também sugerido que a enfermagem se faça representar em fora de outras profissões da área da saúde, de modo a fazer ouvir a sua voz, saindo do seu restrito âmbito profissional e reafirmando o seu exercício de cidadania.

Em 2018, ano de diversas efemérides para a Enfermagem Portuguesa (que demonstram o seu crescimento enquanto profissão) e que foram lembradas na abertura, o grupo dinamizador do blogue Cidadania na Enfermagem  sentiu-se apoiado pelos participantes para prosseguir com iniciativas que promovam o debate de ideias e possam aportar contributos para a efectiva valorização da enfermagem.


A pedido dos participantes, no blogue iremos disponibilizar toda a informação que conseguirmos obter, contribuindo para um maior esclarecimento de todos os que o consultarem, nomeadamente, fornecendo os textos que estiveram na base deste Encontro.

Muito obrigado a todos os presentes, saímos todos a ganhar!